28/6/09
Fotos do aniversário do Enrico
Hoje, estive no casamento de meu primo Ricardo, batizado e aniversário de seu filho Enrico. Vi tanta gente que há mais de 30 anos não via. Dizendo assim parece exagero, mas é verdade. E eu sabia o nome e o sobrenome das pessoas, que talvez não me reconhecessem, ou talvez… quem sabe? O fato é que foi tudo novo num universo que já conheço de outros carnavais. Fiz esta poesia abaixo pensando nisso tudo. Espero que gostem.
Velhas caras modificadas
São rostos há muito conhecidos
Velhas caras modificadas pelo tempo
Pela vida e pelo empenho em sobreviver
São velhos amigos de viagens
Companheiros de histórias trilhadas
Nas curvas das estradas e por aí afora
São meus primos, meus amigos
Infância de beleza inesquecível
Que hoje retrato em poesia
São faces antigas emolduradas
Em ricas poses fabricadas
Onde nada se sabe, nem se pergunta
São gestos, ora nobres, ora esnobes
De quem não quer se revelar
E esquecem-se de que as marcas do tempo
Não conseguem jamais ficarem ocultas
São meus conhecidos, amores de verão
No outono de minha vida
E fazem parte de mim, de você que me lê
Fazem parte de nossa história
E nunca serão apagados
Estarão sempre lá todas as vezes
Que a vida nos chama
Para ver e contemplar
Aquilo de que fizemos parte um dia
Para que nos orgulhemos e
Quem sabe, consertarmos o que
Equivocado ficou
A vida é para isso, para acertar e errar
E, principalmente, reparar os erros
São meus primos
São meus amigos
Velhas faces queridas
Preservadas para sempre
No alvorecer de minha história.
Bem, eu andei parado por uns tempos com o cinema. Coisas da vida, my dear. Mas, tô sempre ligado. O que eu assisti recentemente e me fez pirar foram:
Quem quer ser um milionário - independente de premiações ou qualquer coisitas assim, é um bom filme e muito bem bolado;
Across the universe - esse é para pirar qualquer um, tem a música dos Beatles que conduz o filme do início ao fim e nos faz ver o quão visionários eram esses músicos; é tudo tão atual e olha que a maioria das músicas tem por volta de 40 anos;
E o meu preferido, Divã, uma produção nacional impecável. Você vai se apaixonar por Lília Cabral, vai rir, vai chorar, vai querer gritar e dar colo para ela. Um filme sensível e tocante. Não deixem de ver… depois me contem!!!
O culpado de tudo é o tempo
Que passa
Que leva tudo consigo e deixa as marcas
As rugas do destino
As vias de contramão
E as passagens com mão única
O culpado de tudo sou eu
Que não resisti a esse tempo
Que acreditei ser imortal
Quando na realidade
Meu frágil corpo revela
Que sou apenas farelo de pão
Jogado na toalha da mesa
E esquecido por todos
O culpado de tudo é o tempo
Que não me contou que tudo era efêmero
Que nada iria ficar comigo
Que seriam apenas lembranças
De um tempo que passou
E como me lastimo por ter perdido
Boa parte da vida
Por acreditar que teria mais
Sempre mais
Mais amores, mais paixões
Mais vida, mais saúde
Mais dinheiro, mais vontade
E de quem é a culpa: é do tempo!
Que foi impiedoso
Que me trouxe a saudade quando na verdade
Eu queria sorrir
E a lágrima que escorre
Mostra o vazio de meu peito
O vazio de minha vida
Ah, feliz daquele que o tempo já levou
Que habita outras orbes
Que transita em tempo contrário ao meu
Que não sente nostalgia
E nem se incomoda com mais nada daqui
Ah! Tempo culpado demais
Perdoa a minha ignorância e conserva-me menino
Perdido nos telhados da casa velha
Aquela mesma casa onde fui tão feliz
Nas noites longas de frio
No calor do verão
Onde sempre estávamos nós, todos nós
Tempo, não me deixa sonhar acordado
Tira essa culpa de minhas costas
A culpa de ter sobrevivido
A culpa de não ter culpa alguma
A culpa de achar que tudo está errado
Ah! Tempo, perdoa-me
E leva-me na hora que for necessário
Deixa sim todas essas lembranças,
Alegrias e mágoas
Para lavar minha alma e purificar
A vida que vivi
Os sonhos que sonhei
Tudo o que realizei e o que não
E me perdoa por não ter sido capaz
Perdoa pelos amigos que não entenderam nada
Perdoa por não ter tido paciência para explicar
Perdoa tudo. Tudo!
E o culpado, Tempo, sou eu mesmo!
Por ter achado
Por ter suspeitado
Por ter levado sem nem sequer poder carregar
E me perdoa por insistir
Eu precisava
Eu preciso
Eu queria e quero
E desta vez, Tempo, espero acertar!
Publicada no livro Viver: um jogo perigoso, de Márcio Martelli, Editora In House (2009)
Editora In House comemorou o Dia das Mães no dia 8 de maio
Foi no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí o lançamento da antologia Para a minha mãe 2, da Editora In House. Uma bonita festa com direito a pocket show de Shirley Espíndola que encantou a todos com a sua bela voz. Confira nas fotos.
Esta é do próximo livro
a ser lançado em 2009.
Ao acaso
Escrevo ao acaso
enquanto as pessoas passam,
observo seus modos,
suas vidas e a pressa
com que andam.
Elas correm com medo,
com o afã de chegar
a um local que sequer nome tem.
Nem tem data, nem endereço algum.
Elas apenas correm e
temem atrasadas chegarem
sem nem ao menos saberem onde.
Por isso escrevo ao acaso
tentando concluir idéias
que voam em meu pensamento,
flutuando como penas ao léu,
estourando como bolhas de sabão.
Eu tento captá-las e roubá-las.
Só para mim.
Enquanto as pessoas passam…
E eu, bobo e poeta que sou,
divago e imagino a vida
como uma grande brincadeira
ofertada a nós, meros participantes
desse jogo misterioso e sem final.
(19.8.8)
Imaginar como Jundiaí será daqui há vinte anos é uma proposta, no mínimo, instigante. Mas, para que isso ocorra, preciso voltar no tempo, há vinte anos atrás, para entender o que de fato aconteceu por aqui para poder vislumbrar uma nova Jundiaí: futurística, culturalmente rica, segura, onde a liberdade individual seja respeitada, enfim, um sonho de cidade ou, senão, uma grande utopia.
Em 1988, estava com 20 anos de idade e tinha uma vida inteira de ideais à minha espera. Era um estudante de comunicação que viajava todos os dias a Sampa pela Viação Cometa. Chegava tarde da noite, às vezes, de madrugada, e comia um cheeseburger no Lanches Gordon, ponto de encontro na rua XV.
A vida resumia-se em: estudar, shows em Sampa, Cine Ipiranga e Marabá para assistir filmes defazados e comerciais ou, ir ao Armazém e Dobrão, bares da época. Teatro – nem pensar!!! Shopping não existia por aqui e Mc Donald´s era um sonho de consumo local.
A vida foi passando e se modificando… De repente, o shopping chegou, o estoque de Big Mac esgotou em um só dia, os shows começaram a acontecer esporadicamente e fui adaptando os meus ideais à realidade deste cotidiano.
Um dia, a internet surgiu e o mundo mudou. Isso refletiu diretamente na nossa vida, que se transformou. Jundiaí cresce incessantemente e a cultura é um reflexo de tudo isso. Nossa grande fênix, o Teatro Polytheama nos brinda com espetáculos musicais e peças de teatro, a literatura explode como uma bomba atômica sobre a cidade, a população aumenta cada vez mais, hábitos mudam e, hoje, encontro-me em uma cidade que ainda não consigo decodificar. Estou realmente em uma cidade do interior?
Jundiaí tornou-se uma das cidades com melhor qualidade de vida do país – dizem as pesquisas. Confesso que sinto saudades daquela cidade antiga, onde todos se cumprimentavam e a palavra era um documento inquestionável.
Quando me pego a pensar no que acontecerá daqui há vinte anos, fico receoso e assustado. Quantos condomínios e prédios já estão em construção na cidade? Quantos paulistanos estão de mudança para a cidade à procura da tal qualidade de vida? Quantos shoppings ainda surgirão? Será que eu ainda vou poder usar a minha frase clichê: “em Jundiaí, eu chego a qualquer lugar em, no máximo, quinze minutos!?”
Pois é, os tempos são outros. Na semana passada recebi um documento do meu condomínio que diz que, a partir de outubro, para que eu possa adentrar em minha casa, tenho de estar cadastrado na portaria do prédio e, se por acaso, ao entrar dirigindo meu carro e estiver acompanhado, faz-se necessário que meu acompanhante saia do veículo, se identifique, apresente documentos, para poder ser liberado e entrar. Isso tudo em nome da segurança. Mas cadê o meu direito de liberdade e privacidade?
A Jundiaí do futuro me amedronta. Quantas histórias surgirão e se tornarão livros? A Editora In House ainda existirá? Quantos mais Polytheamas necessitaremos? Afinal a cidade está crescendo e exigindo mais e mais.
Na verdade, se eu pudesse idealizar uma Jundiaí em 2028, gostaria que ela fosse libertária, que as pessoas pudessem andar nas ruas sem medo, que fosse ainda mais valorizado o artista e a cultura local, que a visão de mundo das pessoas fosse mais humanitária, que não houvesse analfabetos e o ensino público melhorasse, que os idosos tivessem o respeito que merecem e as regalias que lhe são de direito…
Em 2028 quero admirar o pôr-do-sol jundiaiense da mesma forma que o admirava aos vinte anos de idade, da janelinha do Cometa ao ir para a faculdade. Quero sentir a mesma sensação de saudade que tinha de minha cidade todas as vezes em que me encontrava longe dela. Quero poder dizer com orgulho: “Esta é a minha cidade, onde nasci, cresci, sou respeitado e fiz a diferença!”
Não quero passar por estes vinte anos apenas olhando a banda passar, nem quero regê-la. Quero tocar com ela e compor a trilha sonora de um mundo melhor. O futuro é incerto, porém suas bases estão sendo fincadas agora. Atente! Uma cidade do futuro perfeita é um ensaio sobre a cegueira. Vamos abrir os olhos e ver. Vamos prestar atenção e escutar. Vamos dizer o que deve ser dito. Jundiaí merece! E todos nós, com certeza, merecemos presenciar este futuro!
Quem viver, verá!
Sangue, literatura e outras loucuras, é a nova obra de Márcio Martelli.
